terça-feira, 14 de agosto de 2012

A História de um Amor Impossível - Parte 1

JULHO 1992, BARCELONA, ESPANHA.

Porque escrever sobre uma história de amor que não foi bem sucedida? 
  1. Porque com ela aprendi lições culturais muito importantes.
  2. Porque cometi erros (e espero ter aprendido com eles).
  3. Porque eu pensava que Deus tinha uma pessoa feita especialmente para mim e se eu perdesse a oportunidade, acabaria solteiro para sempre.
  4. Porque esta historia mostra que "quem tem pressa come cru e quente."
  5. Porque Deus escreve reto sobre as linhas tortas que traçamos.
Depois de passar semanas inesquecíveis em Sevilla, finalmente chegamos a Barcelona. Estávamos a uma semana da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos - e o clima na cidade era fantástico. Estávamos hospedados nas periferias de Barcelona, mas nas semanas seguintes, faríamos incursões diárias ao centro da Cidade e aos arredores do Estádio Olímpico de Montjuic.

Colégio Salesiano de Mataro', onde morei com outros 5.000 jovens
de varios países do mundo por várias semanas durante as Olimpíadas de Barcelona 1992.


Fomos uma das primeiras equipes a chegar no Colégio Salesiano onde estaríamos hospedados pelo próximo mês. Logo na primeira noite, conheci um grupo cujo os integrantes eram procedentes de vários países. Entre outras pessoas, conheci Sona, uma jovem, de origem Armênia, mas que nasceu e cresceu em Holms, na Síria. Conversamos brevemente, mas imediatamente me interessei em saber mais sobre ela. Naquela época eu era uma "esponja cultural", pois queria saber de tudo sobre todos... principalmente, porque eu começava a ter um interesse muito especial pelo Oriente Médio, mas também porque agora eu podia conversar em Inglês.

Nos dias seguintes, com a chegada dos outros grupos ao colégio eu não tive mais oportunidades de conversar com Sona. Eu a via diariamente, mas sempre estávamos ocupados e rodeados por, aproximadamente, outras 4.998 pessoas participando do congresso internacional da JOCUM, que antecedeu os Jogos Olímpicos.

Estar em Barcelona durante as Olimpíadas foi uma experiência maravilhosa. No congresso conheci pessoas com as quais mantenho amizade até os dias de hoje. 

Entre estas pessoas, gostaria de destacar minha amizade com a Miia Ylikoski – atualmente Miia Gomes. Miia é da Finlândia, nossa amizade foi provada pelos duros testes do tempo e da distância. Já se passaram 20 anos e durante todo este tempo de amizade, o respeito e o amor que tenho pela Miia permanecem intactos. Conheci sua família, na Finlândia, e ela a minha, no Brasil. Esta é uma outra historia, para um futuro post aqui na Coluna.

No meio de toda aquela multidão, meus olhos buscavam pelos olhos da mulher Armeno-Árabe. Meu coração ansiava por mais contato com ela... Queria fazer mais perguntas, saber mais sobre ela, sobre seus planos para o futuro e saber se haveria alguma possibilidade de conhecê-la melhor.

Em nossa segunda e última conversa, em 4 longos anos, eu consegui seu endereço - e também lhe disse que queria uma oportunidade para conhecê-la. E foi só.

Apesar de todas as inúmeras cartas que escrevi nos anos seguintes, eu nunca soube nada mais sobre Sona. Nem ao menos tinha uma foto que alimentasse meus sonhos. Nada. Mas havia uma certeza em meu coração: eu a veria de novo durante os Jogos Olímpicos de Atlanta. Então eu esperei, pois esperar era tudo que me restava fazer.

Durante os próximos 4 anos muitas coisas aconteceram - como seguirei escrevendo aqui nesta coluna. Vivi os melhores anos da minha vida em Torrejon de Ardoz, Espanha. Conheci pessoas fantásticas que acrescentaram muito a minha vida. Também dei inúmeras "pisadas na bola", mas em nenhum momento olhei para trás com saudades das coisas que me prenderam no passado, pois a minha nova vida com Jesus me preencheu.

MAIS UM MILAGRE...
Quatro anos se passaram e eu continuei escrevendo minhas cartas e enviando-as para Sona, em Holms, na Síria. Em Junho de 1996 eu estava no Brasil e fui jogar futebol com uns amigos e, numa jogada de mais pura ignorância futebolística de um jogador do time adversário, sofri uma fratura no tarso (um osso) do meu pé esquerdo. Na mesma noite fiz a radiografia que constatou a fratura e já sai do hospital com o pé engessado.

Fiquei bastante triste com a fratura porque estaria trabalhando com futebol durante toda as Olimpíadas, em Atlanta, e logo com um grupo de jovens americanos que iria comigo ao Brasil.

Algumas semanas mais tarde estava participando de um evento, de uma Igreja Evangélica, quando uma senhora se aproximou de mim e pediu para fazer uma oração por mim. Ela orou para que o meu pé fosse completamente curado. Sai da Igreja andando e sem as muletas. Na mesma semana eu regressai ao médico e foi constatado, através de uma segunda e uma terceira radiografia, que o meu pé estava completamente curado! O osso estava completamente restaurado e os médicos não conseguiam explicar.

SEM RODEIOS...
A última vez que escrevi para Sona foi logo depois que o meu pé foi curado, a um mês do nosso reencontro em Atlanta (Olimpíadas 1996).

Eu me recordo do momento em que fui informado que o grupo proveniente do Oriente Médio havia acabado de chegar... Fui imediatamente em direção ao local onde estavam e assim que cheguei meus olhos encontraram Sona. Quatro anos depois... Será que ela havia recebido minhas cartas? Será que se lembraria de mim? Meu coração pulsava dentro do meu peito e de repente o ar ficou escasso... Eu mau podia respirar.

Ela se virou e me viu, me deu um sorriso e veio em minha direção com alegria no rosto.  Ao se aproximar estendeu sua mão e me disse: "- Fiquei muito feliz por saber que o teu pé foi curado!"

Depois de alguns anos fora do Brasil, eu já tinha alguma noção de como cumprimentar pessoas de outras culturas, então, simplesmente apertei sua mão – mas meu desejo era de dar-lhe o tão esperado beijo.

"- Por que você nunca respondeu minhas cartas?" Perguntei.
"- Por que não queria te dar falsas esperanças", ela respondeu olhando nos meus olhos.
"- Preciso conversar com você... Quando você poderia me dar 30 minutos?"

Assim, marcamos de nos encontrar mais tarde para caminhar e conversar. Eu sabia exatamente como conduzir a conversa. Ou, pelo menos, pensava que sabia. Nos encontramos naquela tarde no lugar marcado. Naquele momento era como se as outras quase 5.000 pessoas presentes simplesmente tivessem desaparecido. Aquele era o momento pelo qual eu havia esperado quatro longos anos e eu não podia perder nem mais um minuto:

“- Sona, você quer se casar comigo?”






Na próxima semana: 
  • A resposta da Sona. 
  • Dois anos depois, Sona e eu conversando outra vez... desta vez em Holms, na Síria.  


















quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Como Que de um Vento Impetuoso"

Para quem esta pegando o bonde andando, em 1992 eu havia saído do Brasil fugindo de mim mesmo... E, depois de uma série de eventos que só poderiam ser classificados como milagrosos, eu me encontrei em uma escola da maior Organização Não Governamental Cristã do Mundo, a Youth With a Mission (Jovens Com Uma Missão), em Torrejon de Ardoz, uma cidade que está a 30 minutos do centro de Madrid.

Youth With a Mission tem como objetivo “conhecer a Deus e fazê-lo conhecido” através de treinamento, ministérios de misericórdia e evangelismo, num processo que começa com a Escola de Discipulado e Treinamento: três meses de estudos, seguidos por dois meses com as “mãos na massa” – levando a mensagem do evangelho. Este processo tem transformado comunidades inteiras por todos os cantos do mundo, mas também a vida daqueles que se dispõem a levar a mensagem, num processo que já havia começado na minha vida a partir do momento que eu encontrei Titi e Irinete no Consulado do Brasil em Madrid.

Ken e Ruth obeservando um pedaço
do Muro de Berlim em exposição na Expo de Sevilla 
O ano de 1992 foi um ano muito especial para a Espanha e estar lá foi um privilégio muito grande. A cidade de Sevilla, no sul da Espanha, hospedava a WorldExpo ’92, enquanto Barcelona se preparava para as Olimpíadas de Barcelona.

Depois de três meses de aulas práticas em Torrejon, estávamos prontos para ir a Sevilla e trabalhar dentro da World Expo. Durante este tempo foi preciso que todas as aulas em Inglês na nossa escola fossem traduzidas para o Espanhol, pois eu ainda não entendia Inglês suficientemente para dar sentido ao que eu escutava. 


E não entender ou poder me expressar em Inglês fluentemente era uma barreira que me incomodava bastante, pois nenhum dos outros estudantes da escola falavam Espanhol com fluência.

Na minha terceira noite em Sevilla saímos para conhecer uma praça da cidade que, desde a época do Império Romano, há 2000 anos, era um conhecido ponto de prostituição. Estávamos ali somente para caminhar, orar e se uma oportunidade se apresentasse, conversar com as "trabalhadoras" da praça. 

Para tal tarefa saímos Ruth (Inglaterra) e eu. Ruth estava sempre se esforçando para que eu me sentisse incluído nas conversas do grupo. Apesar de não falar Espanhol, ela fazia de tudo para que eu entendesse o que estava acontecendo. Ao iniciar nosso trabalho naquela praça, oramos juntos e como ela sempre fazia, Ruth orou para que Deus me permitisse entender e falar Inglês. 

Ao regressar à escola onde estávamos alojados, eu e meu amigo, Kenneth (Hawaii, EUA), resolvemos conversar um pouco antes de dormir, pois nas últimas semanas havíamos desenvolvido um pouco de irritação um com o outro, o que já estava afetando nossa amizade.


Kenneth e eu. Grande amigo para o resto da minha vida


Subimos ao telhado da escola e sentamos sob uma linda noite estrelada de verão Sevillana. Conversamos, resolvemos e encerramos nossa conversa com um momento de oração. Enquanto orávamos, naquele instante, lembro que me senti como se uma grande represa houvesse se rompido dentro da minha alma e fui invadido com uma alegria e um sentimento de satisfação muito grande. Naquele momento, havia em mim uma enorme gratidão e quando abri minha boca para declarar a Deus como me sentia, o que saiu dos meus lábios eram palavras incompreensíveis. 

O que aconteceu comigo naquele momento foi o mesmo que foi relatado no capitulo 2 do livro dos Atos dos Apóstolos:  


"Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. de repente veio do céu um ruido como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espirito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito concedia que falassem" (Atos 2:2-4).

Minutos depois Kenneth e eu voltamos para nosso quarto profundamente tocados pela experiência. 

No dia seguinte, ao acordar, alguns dos meus companheiros de quarto relataram que eu havia falado a noite toda... em inglês. Os que me escutaram ficaram muito surpresos porque sabiam que eu não tinha fluência nenhuma no Inglês. 

Foi a partir daquele evento, no dia 25 de junho de 1992, que eu me tornei trilingüe, pois já estava bastante fluente em Espanhol. No dia 26 de Junho eu passei algumas horas conversando com um casal Inglês - em inglês, para a minha propria surpresa! e segundo o casal comentou - com uma fluência de alguém que falava aquele idioma há anos. Nas semanas seguintes enquanto estávamos em Sevilla, eu continuei fazendo progressos com a língua inglesa de forma espantosa para muitos. 

Vinte dias depois quando já estávamos em Barcelona para o nosso trabalho nas Olimpíadas, que o meu Ingles foi posto a prova: parte do meu trabalho nas Olimpíadas era traduzir para vários grupos que vieram a Barcelona de diversos países, da língua inglesa para a língua espanhola e vice-versa. De pensar que 6 meses atras, a unica lingua que eu conhecia era o Português...


***


Os eventos que sucederam esta experiência sobrenatural com Deus tiveram um profundo efeito na direção da minha vida nos próximos 10 anos. Imagine o que se passava na minha cabeça depois de ser tocado por Deus daquela maneira! Fui marcado para o resto da minha vida. 


Proximo post "4 Anos: A Historia de um Amor Impossível" 














  

domingo, 8 de julho de 2012

Voltando das férias...

A família Eva de férias

Bellinha e Elan durante nosso passeio na praia na semana passada. 

A todos os seguidores deste blog: Estou de volta. Entre as correrias do trabalho que se intensificam em Junho, férias e visita do Brasil em casa, estive afastado do blog por várias semanas.

Minhas ferias: mantendo a criançada entretida na praia. 


Hoje começo a trabalhar no novo post que deverá estar no blog até o meio da semana antes de mais um passeio de férias: trilha nas montanhas do Noroeste dos EUA.

Até breve.

Adriano

sábado, 2 de junho de 2012

Tirando a Tranqueira da Bagagem

Não perdia a oportunidade de fazer uma
graça. O perfeito exemplo da minha
bagagem cheia de tranqueira... 
A Escola de Treinamento e Discipulado (ETED) não era o lugar ideal para um cara como eu, pelo menos era o que a lógica humana ditava. Mas como tudo o que havia acontecido comigo até aquele momento não tinha nada a ver com lógica humana, os próximos dias, semanas e meses eram o prólogo de anos de muitas aventuras. 






Barbara (Alemanha), Kenneth (Hawaii),
Ruth (Inglaterra), Matt (Washington),
Eu e Paul (California).



Não éramos uma escola normal. Em pouco tempo éramos como uma família aprendendo juntos. Eu ficava um pouco de fora por não falar Inglês, mas o pessoal me animava e tentava traduzir para que eu pudesse participar. Aproveitávamos cada momento livre para sentar e conversar, conhecer uns aos outros, brincar, contar as histórias de nossas vidas e trocar experiências. Aos poucos fui percebendo que algumas das minhas histórias não eram apropriadas para o contexto de nossas vidas. O papo era diferente. Eu estava acostumado com a minha galera na Ford, ou  com meus amigos de adolescência onde o tema central das conversas era contar das minhas aventuras, noitadas e motéis. 


Bill Payne (Canada) um dos
meus professores favoritos.
Algumas semanas após o início das aulas eu decidi que deveria terminar o namoro com a Anita (minha primeira e única namorada nos 4 anos que estive na Espanha). Aquele relacionamento passou a ser uma distração desnecessária, pois o que eu queria naquele momento era aprender mais e mais sobre o Deus da Bíblia. 

Na ETED, descobri que a Bíblia é uma obra de arte e que se eu coloco o meu foco em uma pincelada que o artista deu na tela, eu acabo perdendo a oportunidade de desfrutar da obra completa. A Bíblia descreve Deus de uma forma tão profunda, que é possível conhecer o Seu caráter e seus atributos através dela. A Bíblia não é um livro complicado e impossível de se entender, ela é, na verdade, um testamento de amor inspirado pelo Criador para toda a humanidade. 

Aula na ETED com Gary McKinney
Na ETED eu também aprendi muito sobre eu mesmo. Aprendi principalmente através de tentar praticar o que ia aprendendo da Bíblia, mas também através dos meus relacionamentos e das convivências do dia a dia. Quando Deus entra na jogada, as coisas que tiram a paz das nossas almas começam a aparecer. Pouco a pouco a tranqueira da bagagem começou a sair à tona.


A primeira tranqueira a aparecer se chama "falta perdão." Descobri que perdoar é uma tarefa muito difícil e, às vezes, dolorosa, principalmente quando existem feridas emocionais envolvidas com situações ou pessoas - e quanto mais próximas estas pessoas, maior é a dor. Também é muito difícil perdoar quando não há arrependimento e um pedido de perdão por parte da pessoa que nos causou o mal. Mas o mais difícil de tudo é pedir perdão!    


Entendi que eu precisava pedir perdão e perdoar. Então, pedi a Deus, em oração, que me trouxesse à memória todas aquelas situações e as pessoas que eu havia ferido ou que me haviam ferido durante os meus 21 anos de vida. Escrevi uma longa lista com o que eu entendia ter feito para magoar e ferir a outros e também o que haviam feito para mim. Foi então que me deparei com três pessoas a quem eu tinha a maior dificuldade em perdoar: 

A mim mesmo-
Tem burradas que fazemos na vida, que ficam conosco por muito tempo. Meses, anos e as vezes ficam conosco para o resto de nossas vidas. E eu carreguei varias dessas comigo ate' chegar na ETED. Lá eu entendi que Deus queria tirar esta carga dos meus ombros. 

Em um dos primeiros posts deste blog (Porque eu sai do Brasil em 1992?), eu escrevi brevemente sobre um vazio emocional que levei por muitos anos depois de terminar um namoro de quase três anos com a Janaina. Não tinha percebido que nunca havia me perdoado por ter sido o causador do rompimento daquele relacionamento. Não me perdoava por tê-la enganado e traído tanto, mas principalmente por ter desvalorizado e ferido alguém que havia se doado tanto em seu próprio detrimento. 

Também tive dificuldades em me perdoar por ter defraudado tantas pessoas, principalmente aquelas que eu usei na tentativa de preencher todo o vazio da minha alma. Puro egoísmo. 

Eu me perdoei. E com o passar dos anos fui tendo oportunidades de pedir perdão a várias pessoas. Sete anos atrás escrevi uma carta para a Janaina onde lhe pedi perdão por tudo que fiz.   

Luciana- 
A Luciana marcou minha vida mais profundamente do que eu jamais poderia ter compreendido ate que nasceram meus filhos. Aquela gravidez e o aborto marcaram minha vida e mudaram meu rumo. Hoje olho para trás e vejo o quão difícil tudo aquilo deve ter sido para aquela menina de 16 anos. Ela teve que enfrentar tudo e todos por mim. Não sei se sua mãe a forçou a cometer aquele aborto, mas em um determinado momento eu tive que perdoa-la e perdoar também sua mãe. Espero que se algum dia ela encontre este blog e leia este post, ela saiba que eu a amei e também a perdoei. 

Meu pai-
Minhas primeiras memórias do meu relacionamento com meu pai, são de ter um pai alcoólatra. Não me lembro de um beijo do meu pai em mim quando criança, nem de um abraço. Mas me lembro dele chegando bêbado em casa, me lembro das confusões e conflitos com minha mãe e do medo que sentíamos todos. 

Também me lembro do meu pai superando os vícios, se tornando um homem em busca de Deus. Me lembro do meu pai tendo um encontro com Deus. Mas mesmo com toda a transformação que presenciei, a distância emocional entre nos permaneceu. Era como se não tivéssemos um relacionamento. 

Estatísticas mostram que um menino que cresce sem uma conexão emocional com seu pai tem 20 vezes mais chances de acabar na cadeia do que um menino que tem um sadio envolvimento emocional com seu pai. Brincar de carrinho, brincar de lutinha, sair para dar uma volta no quarteirão juntos, declarar aprovação verbal, dizer eu te amo, afirmar minha masculinidade (para que eu não tenha que prova-la de forma egoísta sendo promíscuo)... tudo isso é parte de um relacionamento sadío de um pai com seu filho. Eu não tive. Mas e dai? 95% dos meninos da minha geração não tiveram! Meu pai não teve.

Não estou culpando meu pai pelas minhas escolhas erradas. Mas isso não muda o fato de que eu queria muito ter intimidade com ele. 

Eu tentei de todas as formas que sabia, conseguir a atenção do meu pai. Por meus próprios atributos, o mais natural para mim foi tentar impressionar meu pai com minhas habilidades atléticas, mas o meu pai nunca esteve presente nas minhas conquistas e quando eu chegava todo feliz com uma medalha conquistada, meu pai "nem tchum".  Acho que me viu jogar vôlei uma vez, futebol de salão uma vez, basquete nenhuma vez. 

A próxima etapa foi rebelião contra a sua autoridade. Esta foi a maneira de tentar conseguir alguma atenção. Fazer coisas erradas me proporcionava alguma atenção do meu pai - mesmo que fosse negativa - era melhor do que nada. Foi então que o que meu pai pensava já não me importava mais. 

Depois que eu perdoei meu pai, eu fiquei livre para entender e receber o amor que ele tem por mim. Imediatamente comecei a conversar com meu pai por cartas e telefonemas sobre tudo isto até que tive a oportunidade de olha-lo nos olhos e fazer um concerto. Meu pai não teve um modelo para tentar fazer melhor. Ele perdeu seu pai com nove anos e logo teve que ir morar com parentes em São Paulo. Hoje, nosso relacionamento é repleto de amor e eu creio que recebo dele o amor e a admiração que desejava ter recebido durante aqueles anos da minha formação.

Deus-  
Parece até arrogância dizer que eu tinha uma pendência com o Criador do Universo... mas é isso mesmo: era pura arrogância. O meu problema com Deus era não conseguir entender o porque dEle não atender um desejo do meu coração, algo que lhe pedi muitas vezes e por muitos anos. 

Em um determinado momento simplesmente aceitei o fato de que Deus não se importava com este "detalhe" da minha vida, mas aceitei tal fato com ressentimento guardado no coração. Este ressentimento criou uma barreira entre nós. 

Mas olhando para traz e vendo que nos últimos meses Ele havia estado tão presente, cuidando de cada detalhe da minha vida, eu fui aprendendo que Ele sim queria estar presente na totalidade da minha vida. 

Quem sou eu para ressentir e não perdoar a Deus quando a Bíblia diz que "... Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." Romanos 5:8

Ele morreu para pagar uma divida minha 2000 anos atrás. Em outras palavras, Ele deixou um cheque assinado e em branco para cobrir minha dívida, por mais alta que fosse... a dívida foi paga por completo. Que amor é este? Deus aceitou Jesus - seu único filho - na cruz como pagamento perfeito, como um cheque assinado e em branco.

Perdão não tem relação nenhuma com as nossas emoções. Eu não preciso sentir disposição para perdoar. O perdão faz muito mais pela pessoa que perdoa do que pela pessoa perdoada. 

Eu fiz um concerto com Deus e lhe perdoei em meu coração.



No próximo post: "Sevilla 1992: Eu aprendi Inglês dormindo."
Kenneth Hubik - Meu mano.
Participação no meu aprendizado do Inglês de uma forma não muito ortodoxa...




   






















domingo, 6 de maio de 2012

Apertando "RESET"




Espero que vocês tenham lido os últimos posts para poder entender o contexto dos próximos relatos dos meus primeiros dias na Espanha, quando cheguei na Juventud Con Una Misión (JCUM) para participar da Escola de Treinamento e Discipulado (ETED).

Quando entrei na sala principal no "CUARTO PISO" (quarto andar) do prédio da JCUM, me deparei com uma sala cheia de pessoas lindas. Hoje, olhando para trás vejo que naquele dia foi como se Deus estivesse apertado o botão RESET da minha vida. Esta era a minha oportunidade de "recomeçar..."





Minha família por 5 meses: Kenneth (Hawaii), Paul (California), Matt (Washington), Ruth (Inglaterra), Barbara (Alemanha), Sagrit (Panama), Tina (Pensilvania), Carol (Vermont), Greg (Nevada), Malcolm (Inglaterra), Paul and Adriana (Holanda), Gabriel e Patricia (Espanha e Nova Zelândia) e eu - Março1992
Apesar de chegar com muita "TRANQUEIRA NA BAGAGEM" eu imediatamente me senti acolhido por todos e logo fui percebendo que havia um pequeno problema... nem todos falavam espanhol - e meu inglês se limitava ao "hello, how are you?" Depois de dois meses na Espanha, eu ja conseguia me fazer entender em Espanhol, mas em Inglês, a situação era bem mais complicada.

Ensinando o Kenneth a dançar lambada - 1992 
Ali estávamos eu e outros 5 estudantes, além de outros 8 do staff da JOCUM trabalhando conosco diariamente. Segundo os dias foram se passando, eu fui percebendo que ainda haviam vários outros JOCUMeiros que não trabalhavam diretamente com a escola, mas que de diferentes formas participavam dela.

Para que eu pudesse estar ali, a escola aceitou me dar uma beca que pagava pela maioria do custo. Além da beca, o Titi e a Irinete concordaram em pagar do bolso deles pela parte correspondente ao custo da minha alimentação durante os 5 meses que eu estivesse na escola... Nestas alturas eu já havia perdido a conta de todos os pequenos milagres que ocorreram na minha vida desde o dia 19 de Janeiro de 1992 quando eu sai do Brasil.

Não demorou muito para o primeiro drama acontecer...
Durante as semanas que seguiram, meus pais foram se inteirando dos acontecimentos da minha vida na Espanha. Nossas conversas por telefone foram diminuindo pouco a pouco com o passar das semanas, pois cada ligação me custava cerca de $30 dólares. As cartas demoravam uma eternidade para chegar (20 -25 dias) e quando finalmente chegavam, as novidades já não eram mais novidades.

Em muito pouco tempo eu passei de ser um devasso pecador a ser crente vivendo em uma tal organização "cristã" onde eu era estudante a tempo integral. Tudo isso foi muito para meus pais digerirem em tão pouco tempo. Eles não entendiam muito bem o que estava acontecendo comigo na Espanha: Como é que meus planos poderiam ter mudado assim de uma forma tão radical?

Minha mãe entrou em pânico de medo que eu houvesse entrado em uma seita religiosa - o que estava de moda nos anos 80 - e numa conversa telefônica, ela ordenou que eu voltasse para o Brasil o mais rápido possível. Minha mãe usou de vários subterfúgios para me convencer a voltar e eu me senti verdadeiramente pressionado. Hoje como pai entendo melhor como ela se sentiu em 1992. Creio que o temor de que ela nunca mais voltasse a me ver realmente bateu em um determinado momento.

Não preciso nem dizer que eu não abandonei tudo para voltar ao Brasil. Mas é importante ressaltar que a decisão mais uma vez foi tomada buscando entender o que Deus queria ao invés de simplesmente me rebelar e não atender um pedido da minha mãe. Mas a decisão não foi fácil de tomar porque eu tinha apenas mais uma semana para usar a passagem de volta ao Brasil. Aquela passagem era a minha garantia ate então, de que se o calo apertasse eu tinha uma saída... e no mínimo haveria uma cama para mim e um lugar na mesa na casa dos meus pais. Assim que decidi ficar e confiar que Deus cuidaria da minha mãe no Brasil.

Viagem no tempo...
Uma das pessoas com quem mais me identifiquei na ETED foi Tina Sharp. Tina mais tarde se casaria com Kenneth Hubik, meu companheiro de quarto e melhor amigo durante a ETED. Tina era também irma de Diana Sharp... Em 1995 eu viajava de Montana a New York quando passei alguns dias com os pais da Tina e Diana na Pensilvania. Depois de uma tarde conversando com Diana e contando a ela tudo o que havia acontecido na minha vida nos últimos três anos, eu desafiei Diana a entregar seu coração 100% a Jesus. Também a animei a buscar uma restauração no seu relacionamento com seus pais. Depois desta visita regressei a Espanha.

Diana Sharp e eu. Passeio em Toledo, Espanha, 1997
Em 1997 (depois de vários acontecimentos que relatarei num próximo post) eu pedi Diana em casamento em um restaurante de Alcalá de Henares (Cidade onde nasceu e viveu Cervantes, famoso escritor Espanhol de obras como Don Quixote de la Mancha). Diana faleceria no mesmo ano em um terrível acidente automobilístico enquanto se dirigia ao trabalho nos EUA.
A quase um mês atras, Kenneth e Tina viveram uma nova tragédia quando sua filha Evangeline, de apenas 2 anos faleceu em um acidente no quintal de sua própria casa.  Conversei com Kenneth por telefone, choramos e oramos juntos. Nossas vidas estarão conectadas para sempre.



Próximo Post: TIRANDO A TRANQUEIRA DA BAGAGEM



domingo, 15 de abril de 2012

Tranqueira na Bagagem: O Eu que Ninguém Nunca Viu



Vou ser sincero...
Antes de começar a contar tudo o que a ETED significou na minha vida, creio que é importante que você - leitor desta coluna - entenda quem entrou naquele prédio no dia 16 de marco de 1992. Para isso, quero contar algumas histórias que marcaram a minha vida e me fizeram ser quem eu era até aquele dia.

O Travesso 

Sempre fui travesso desde muito jovem. No meu caso, a minha travessura era a minha maneira de conseguir a atenção que eu não tinha em casa, principalmente do meu pai. Aos sete anos de idade eu estava esperando por minha mãe enquanto uma amiga sua experimentava seu vestido de noiva (no dia de seu casamento). Segundos antes da noiva sentar-se ao meu lado, tirei o chiclete da boca e o coloquei na cadeira... Assim que alguém notou o chiclete no vestido, imaginem o que aconteceu. Há apenas algumas horas da cerimônia do seu casamento, lá estava a noiva em pânico total enquanto a mulherada corria desesperadamente em busca de uma maneira de salvar o vestido, enquanto eu e meu irmão fingíamos que não sabíamos de nada. Muitos anos depois confessei meu pecado a minha mãe.


Eu (7)

Mas a pior de todas as travessuras aconteceu em uma excursão ao Museu do Ipiranga em São Paulo. Por alguma razão que até hoje eu não consigo entender porque, eu entrei em várias carruagens em exposição no museu. Carruagens raríssimas da época dos Dom Pedros. Também subi em uma Pia Batismal, onde o Padre Anchieta batizou crianças indígenas quando chegou no Brasil em 1554... A professora ficou sabendo e jurou que jamais me levaría em outra viagem da escola.


O Mentiroso


A mentira é um inimigo feroz com quem luto incessantemente, diariamente. Mas nem sempre foi assim. Por muitos anos eu abracei a mentira como um verdadeiro subterfúgio. Por mais elaborada que fosse a mentira, havia uma pessoa que eu era incapaz de enganar: minha mãe. A mentira foi a maneira de lidar com meus temores, passar a impressão de que eu era quem eu queria ser. A mentira foi a maneira de colocar as atenções sobre mim. A mentira foi a maneira de sair de situações delicadas. A mentira foi a maneira de sair de relacionamentos desgastados, mas também a maneira de me manter em vários de uma só vez. Em um determinado momento da minha vida, eu namorei três meninas de uma so vez por um período de um pouco mais de três meses: tudo na base da mentira. Mentí até que não pude mais viver com a mentira. Cansei e terminei o namoro com todas.


O Ladrão
Tem um ditado que diz que "a miséria adora uma má companhia..." Além de mentiroso eu também era ladrão. Roubava dinheiro dos meus pais desde os nove anos de idade. Aos 13 comecei a roubar dinheiro de uma família de vizinhos que moravam próximos da minha casa. Eu tinha liberdade total de entrar para brincar com meu amigo e por coincidência descobri onde o dinheiro da casa era guardado. Foram meses roubando daquela família, até que de alguma maneira fui pego. Olhando para trás vejo que o pior de tudo foi que eu sinceramente os amava e que os meus atos praticamente colocaram um ponto final naquela amizade de infância.  Graças à Deus alguns anos depois a amizade foi restaurada e guardo muito carinho por eles. Também aprecio muito o perdão que eles me estenderam.


                                                      As Drogas 
Usei o que estava disponível numa época quando o pior de tudo era a cocaína. Cheirei cocaína dentro da Ford no final do meu turno de trabalho. Felizmente nunca coloquei um centavo do meu dinheiro na droga.  Apesar de ser um imbecil, eu ainda me preocupava com o que as consequências do uso das drogas na minha família. Meus pais ficariam devastados se eu desse uma pisada na bola e fosse pego com drogas. Dou graças a Deus também a Janaína, minha namorada na época em que o mundo das drogas se fez disponível para mim. Ela também foi uma influencia muito positiva na minha vida neste sentido.

O Sexo
Eu vivia em um mundo de fantasias sexuais desde os 13 anos de idade. Eu não descobri a gravidade da minha situação até que eu sai do Brasil e optei pela abstinência. Não entendo a extensão da minha dependência emocional e psicológica, mas com o passar dos anos, muito do meu tempo, dos meus recursos e das minhas energias era voltado para satisfazer minha necessidade sexual. Arlete Gavranic, educadora e terapeuta sexual, explica que "o compulsivo vira escravo da necessidade de sexo. Não necessariamente o sexo vivido dentro do contexto de uma relação amorosa e íntima, onde exista prazer por estar com alguém. O vicio em sexo é extremamente egoísta e implica no desenvolvimento de uma vida dupla onde suas ações são mantidas em sigilo." Mas a coisa poderia ter sido muito pior se eu tivesse me envolvido com pornografia. Meus pais nunca permitiriam materiais pornográficos em casa - eu respeitei. A pornografia impede que o homem possa jamais experimentar a verdadeira intimidade. Outra coisa pela qual hoje dou graças a Deus por jamais haver me envolvido é o homossexualismo. Em um determinado momento da minha adolescência, ter uma relação homossexual era coisa para "comedor," pois "comedor come o que passa pela frente..." mas eu não cai nessa, achava e acho nojento.


Independência ou Morte!
Aos 18 anos pedi minha emancipação, ou seja, que meus pais assinassem em cartório minha independência e me dessem os direitos que somente alcançaria aos 21 anos de idade. Como disse antes, nunca pedi permissão para sair do Brasil - simplesmente avisei que estava indo embora dentro de 12 meses. Como é que os meus pais me aguentaram? Realmente não entendo.


Religião Não
Cresci católico. Fui coroinha no Convento Santa Clara (onde ganhei o apelido de Anjinho) até a minha adolescência quando fui seduzido pela vida de pecador assumido. Na mesma época, meus pais se converteram a Igreja Evangélica e as coisas que aprendi na convivência com meus pais, me levaram a rebelar-me contra a Igreja Católica. Por anos fui anti-religião,  pois era a maneira mais fácil de fazer o que eu queria fazer sem ter que prestar contas dos meus atos à Deus. Por outro lado, minha visão de crente em 1992 era a do típico Assembleiano do início dos anos 90: Não pode jogar futebol, não pode usar shorts, não pode assistir televisão, não pode - não pode - não pode!


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Anos depois, em uma das viagens de regresso ao Brasil, um vizinho de muitos anos conversava comigo no portão de sua casa e me disse algo que me marcou profundamente. Ele me disse: "- Adriano, eu não dava um centavo por você. Para mim, você era um caso perdido, sem futuro nenhum na vida. Mas hoje você é um verdadeiro vencedor e eu tenho orgulho de você." O Toninho da Lucila não faz idéia do quanto aquelas palavras marcaram a minha vida - para sempre - porque o que ele disse era a mais pura verdade: eu possuía um potencial tremendo para me meter em encrencas. Estava realmente em rota de destruição. Mas sim haviam alguns fundamentos bons em mim, pela educação dada por meus pais, o que incluía religião.  Mais tarde fui descubrir que a religião tinha pouco a me oferecer...

Quando sai do Brasil rumo a Espanha levei comigo esta bagagem e quando entrei na JOCUM para fazer a ETED, pouco a pouco essas tranqueiras foram saindo a luz...






domingo, 8 de abril de 2012

Yo en JCUM España


No último post da Coluna do Adriano eu descrevi a experiência sobrenatural pela qual eu baseei a minha decisão de me comprometer com a organização Jovens Com Uma Missão (JOCUM) por cinco meses em 1992. O que eu não sabia, era que aquela decisão transformaria a minha vida profundamente para sempre. Eu jamais seria o mesmo.

Mesmo depois de comunicar a minha decisão de participar da Escola de Treinamento para Evangelismo e Discipulado (ETED), eu continuava questionando a minha decisão. A idéia de passar 5 meses morando com um grupo de crentes nao era muito atrativa para mim pois afinal das contas, a minha vida ate' então havia sido muito diferente. Seria uma mudança radical da minha - ate então - rotina de estudar, trabalhar, namoros, andar de moto, noitadas em boates e motéis... Da para se ter uma idéia da minha confusão?

Aliás, durante os dois meses que estive na Espanha, antes de ir participar da ETED, eu consegui encontrar tempo para conhecer alguém e começar a namorar com uma linda garota Espanhola chamada Anita. Típica adolescente nos seus 17 anos de idade, Anita era sobrinha do Titi e era realmente muito atraente. Nosso namoro havia começado poucas semanas antes de eu conhecer o Gabriel e a Patrícia Jimenez  e de ser convidado para participar da ETED. No pouco tempo que passamos juntos eu já pude perceber o potencial desastroso do relacionamento. Com certeza não demoraria muito para que eu voltasse a ser a pessoa que eu pensei que havia deixado no Brasil (...mais sobre este caso em breve).

Minha casa na Espanha de 1992 a 1996: JOCUM Espanha
Titi e Irinete comunicaram ao Gabriel e  Patrícia a minha decisão de ir à ETED apenas dois dias antes de eu me apresentar. Mas o que me esperava na JOCUM? O que era a ETED? 

A JOCUM (Jovens Com Uma Missão) é a maior organização não governamental (ONG) Cristã/ missionaria, formada 100% por voluntários, com representação em quase todos os países. A JOCUM não é evangélica, apesar de que a grande maioria dos seus voluntários são.

A Missão da JOCUM é definida nesta frase: “Conhecer a Deus e fazê-lo conhecido” e a ETED é basicamente isto: um tempo dedicado para conhecer a Deus através da Bíblia, para então fazê-lo conhecido através de qualquer forma de evangelismo.

Na minha opinião, o sucesso desta organização nos últimos 50 anos de sua existência esta no fato dela dar possibilidades para que a visão de um individuo, ou um grupo de indivíduos, possa florescer e vir a se tornar realidade. A JOCUM não vê barreiras materiais, culturais, ou geográficas como um impedimento para cumprir sua missão. Dentro deste contexto, eu passei os melhores 8 anos da minha vida na JOCUM. Aceitar o desafio de fazer a ETED foi a decisão mais acertada que fiz nos meus quase 41 anos de vida.


No post da próxima semana, vou contar as historias da ETED, apresentar o pessoal, repassar um pouco da minha nova vida na Espanha, Olimpíadas de Barcelona 92 e começar a escancarar de vez a janela do meu coração.

Enquanto isso, deixo com você – leitor – as seguintes perguntas: Nos teus anos até aqui vividos, qual foi a decisão mais acertada que você já tomou na sua vida? Como você foi guiado a tomar esta decisão?  Quais as conseqüências em sua vida hoje, devido a esta decisão tomada? Deixe um recado para mim nos comentários abaixo.

Até breve!